quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Além do bem e do mal


Há deuses que existem, há deuses que não existem.

Há deuses que nascem, há deuses que morrem.


Há ainda deuses que nunca morrem.

Há, sim, também, deuses que já nasceram mortos e os que ainda irão nascer.

São muitos os deuses, talvez, nenhum.

Mas para que importam tantos deuses? Mortos ou vivos, que diferença faz?

E aí, uma outra pergunta vem:

Quem realmente são esses complicados deuses que nos confundem tanto? Serão eles, somente nós mesmos?

Ou serão apenas produtos de nossa louca e carente imaginação?

Não sei. E, quem sabe, eles também não saibam.

 José Augusto Silveira
18/agosto/14

 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O espaço da arte

'Produzir, consumir, poluir', 2013
José Augusto Silveira

57 x 41 cm
 
'Arte não se compra, se aprecia.

Arte não se olha, se apropria.

O tempo da arte é Um, é lento.

O tempo da compra é outro, é veloz.

O templo do consumo é o shopping.

O espaço da arte é o sentimento'.


José Augusto Silveira, 2014
 
 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Exposição “Ode à Criação Libertária” no Shopping Città América



SERVIÇO

Data: 07 de agosto a 07 de setembro/2014
Todos os dias de 10h às 22h

Shopping Città America
Galeria Città
Localização: Praça Central

Endereço: Av. das Américas, 700 – Barra da Tijuca
Rio de Janeiro/RJ – CEP: 22640-100

Entrada gratuita

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Arte e indústria cultural

 
'Máscaras insurgentes'
José Augusto Silveira

Para mim, a arte é a expressão mais verdadeira e mais essencial da alma humana. Ela transcende o nosso próprio mundo: nos leva a outros mundos, nos revela, nos desencobre do aqui e agora.  É nosso espírito em pleno ato de criar.

Por outro lado, a indústria cultural não cria, apenas fabrica: para o uso e para o consumo. A Arte como Arte não pode ser equiparada ao que somente é útil ou até mesmo belo.
Ao contrário, a arte somente é arte quando serve para nos libertar do útil existente em nós mesmos.
Transformar a arte em simples mercadoria é a possibilidade de perdermos nossas almas e nos tornarmos simplesmente coisas e nada mais.
José Augusto Silveira – 30/jun/14

 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Afeto


A arma dispara a-feto

A arma dis-para-desafeto

Desafetada, a arma silencia

No silêncio, apenas o afeto.


Texto e imagem:
José Augusto Silveira

quarta-feira, 14 de maio de 2014

As folhas


As folhas nos dão – vida

As folhas nos dão – abrigo

As folhas nos dão – paz

As folhas, um dia – caem

As folhas se vão – voam

As folhas se desfazem – fertilizam

As folhas – outras virão.


(Texto e imagem: José Augusto Silveira)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Política, eleições e contemporaneidade

Por José Augusto Silveira
09-out-12

"Transhumanidade"
José Augusto Silveira
Os resultados das eleições na cidade do Rio de Janeiro em 2012 demonstram um sistema político-eleitoral falho em termos de uma comunicação equitativa entre os seus participantes, como também uma sociedade dividida em dois segmentos. Por um lado, a sua maioria toma uma postura conservadora, levando em conta apenas a gestão eficiente, sem grandes preocupações com questões éticas. Por outro lado, um segmento menor, em que se deseja bons resultados de gestão, acompanhados sempre por um posicionamento ético nas questões políticas.

 
Eduardo Paes estruturou sua campanha coligado com 19 Partidos Políticos, tendo amplo financiamento e tempo de televisão, alcançando aproximadamente 64% dos votos válidos, e Freixo, sem coligação, com finaciamento e tempo de televisão reduzidos, conseguiu um percentual de 28%.

 
Um outro fato importante, foi a atenção dos eleitores em relação a polarização entre os candidatos Paes e Freixo, tornando quase que totalmente nula a visibilidade dos outros candidatos de oposição.


Isso nos motiva a refletir de uma maneira crítica sobre esse processo para assim podermos entender quais as modificações de nossa sociedade que contribuíram na produção desse cenário.


Analisando inicialmente a grande quantidade de partidos coligados na campanha do candidato Eduardo Paes, já temos a nítida impressão de que tais partidos não possam representar, de forma alguma, diferentes propostas políticas para o planejamento e gestão da cidade. Vemos, assim, uma necessidade urgente de modificação no nosso sistema político-eleitoral.

 
Outro aspecto importante é a desproporção dos recursos financeiros entre os candidatos, resultando em estruturas de campanha com capacidades muito diferenciadas em alcançar o eleitor e conseguir uma comunicação eficiente de suas propostas de mandato.

 
A capacidade maior de repetição de imagens, bem como de falas, de um candidato em relação ao outro pode acabar sendo um fator decisivo na assimilação das propostas.

 
Também, o tempo desproporcional de exposição na mídia televisiva, mesmo com o avanço dos recursos de comunição via internet, como redes sociais, blogs e outros, ainda pode ter uma importância enorme na decisão de votos dos eleitores.

 
Além desses fatores relacionados acima, temos que considerar ainda as características atuais da sociedade, tais como a despolitização crescente da população, o aumento acelerado do hiperindividualismo e o avanço do consumismo em detrimento da cidadania.

 
Essas características de nossa sociedade atual levam a posturas quase sempre hiperpragmáticas: o que se quer é apenas ver os resultados práticos, materiais, não nos importando os meios para alcançá-los. Os aspectos éticos não são levados tanto em consideração. Na verdade, de uma maneira simplificada, a sociedade demanda unicamente uma espécie de síndico para conduzir a gestão da cidade.

 
O cidadão, hoje predominantemente consumidor, até mesmo no período eleitoral (e pior, ainda pode ser vítima de estratégias de marketing eleitoral enganoso), não quer mais de maneira alguma estar envolvido nas questões de responsabilidade cidadã e democrática, como a fiscalização dos seus representantes, tanto do legislativo quanto do executivo, ou mesmo uma participação mais ativa no planejamento e vida comunitária de seu bairro.

 
Acredito que são essas circunstâncias que nos levaram a eleger com aproximadamente 64% uma candidatura a meu ver conservadora, porém, técnico-modernizante, e menos de 30% dos votos dirigidos ao candidato opositor, preocupado com a ênfase na ética e na corrupção na política, dando como exemplos a erradicação da atividade miliciana como questão importante de estado e o julgamento do então chamado ‘Mensalão”.

 
Importante ressaltar que embora os seguimentos da faixa etária intermediária e avançada da sociedade se mostrem indiferentes a essas questões, por outro lado, a faixa dos novos jovens (aproximadamente entre 18 e 25 anos) demanda uma postura considerada pelas suas gerações anteriores como até cafona: a boa notícia é que esses jovens estão reintroduzindo a necessidade de falas mais emocionais porém propositivas na política, e mesmo com componentes mais ideológicos, e a ênfase na questão da ética, vivenciadas há décadas atrás.