terça-feira, 20 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Política, eleições e contemporaneidade
Por José Augusto Silveira
09-out-12
Eduardo Paes estruturou sua campanha coligado com 19 Partidos Políticos,
tendo amplo financiamento e tempo de televisão, alcançando aproximadamente 64% dos
votos válidos, e Freixo, sem coligação, com finaciamento e tempo de televisão
reduzidos, conseguiu um percentual de 28%.
Outro aspecto importante é a desproporção dos recursos financeiros entre
os candidatos, resultando em estruturas de campanha com capacidades muito
diferenciadas em alcançar o eleitor e conseguir uma comunicação eficiente de
suas propostas de mandato.
A capacidade maior de repetição de imagens, bem como de falas, de um
candidato em relação ao outro pode acabar sendo um fator decisivo na assimilação
das propostas.
Além desses fatores relacionados acima, temos que considerar ainda as
características atuais da sociedade, tais como a despolitização crescente da
população, o aumento acelerado do hiperindividualismo e o avanço do consumismo
em detrimento da cidadania.
O cidadão, hoje predominantemente consumidor, até mesmo no período eleitoral
(e pior, ainda pode ser vítima de estratégias de marketing eleitoral enganoso),
não quer mais de maneira alguma estar envolvido nas questões de responsabilidade
cidadã e democrática, como a fiscalização dos seus representantes, tanto do
legislativo quanto do executivo, ou mesmo uma participação mais ativa no
planejamento e vida comunitária de seu bairro.
Acredito que são essas circunstâncias que nos levaram a eleger com
aproximadamente 64% uma candidatura a meu ver conservadora, porém,
técnico-modernizante, e menos de 30% dos votos dirigidos ao candidato opositor,
preocupado com a ênfase na ética e na corrupção na política, dando como exemplos
a erradicação da atividade miliciana como questão importante de estado e o
julgamento do então chamado ‘Mensalão”.
Importante ressaltar que embora os seguimentos da faixa etária
intermediária e avançada da sociedade se mostrem indiferentes a essas questões,
por outro lado, a faixa dos novos jovens (aproximadamente entre 18 e 25 anos)
demanda uma postura considerada pelas suas gerações anteriores como até cafona:
a boa notícia é que esses jovens estão reintroduzindo a necessidade de falas
mais emocionais porém propositivas na política, e mesmo com componentes mais ideológicos,
e a ênfase na questão da ética, vivenciadas há décadas atrás.
09-out-12
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| "Transhumanidade" José Augusto Silveira |
Os resultados das eleições na cidade do Rio de Janeiro em 2012 demonstram
um sistema político-eleitoral falho em termos de uma comunicação equitativa
entre os seus participantes, como também uma sociedade dividida em dois
segmentos. Por um lado, a sua maioria toma uma postura conservadora, levando em
conta apenas a gestão eficiente, sem grandes preocupações com questões éticas.
Por outro lado, um segmento menor, em que se deseja bons resultados de gestão, acompanhados
sempre por um posicionamento ético nas questões políticas.
Um outro fato importante, foi a atenção dos eleitores em relação a polarização
entre os candidatos Paes e Freixo, tornando quase que totalmente nula a
visibilidade dos outros candidatos de oposição.
Isso nos motiva a refletir de uma maneira crítica sobre esse processo
para assim podermos entender quais as modificações de nossa sociedade que contribuíram
na produção desse cenário.
Analisando inicialmente a grande quantidade de partidos coligados na campanha
do candidato Eduardo Paes, já temos a nítida impressão de que tais partidos não
possam representar, de forma alguma, diferentes propostas políticas para o planejamento
e gestão da cidade. Vemos, assim, uma necessidade urgente de modificação no nosso
sistema político-eleitoral.
Também, o tempo desproporcional de exposição na mídia televisiva, mesmo com
o avanço dos recursos de comunição via internet, como redes sociais, blogs e
outros, ainda pode ter uma importância enorme na decisão de votos dos
eleitores.
Essas características de nossa sociedade atual levam a posturas quase
sempre hiperpragmáticas: o que se quer é apenas ver os resultados práticos,
materiais, não nos importando os meios para alcançá-los. Os aspectos éticos não
são levados tanto em consideração. Na verdade, de uma maneira simplificada, a
sociedade demanda unicamente uma espécie de síndico para conduzir a gestão da cidade.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Entre pessoas
Um convívio social, no seu início, se alimenta – na maioria
das vezes – pelo relato e comparações
egóicas de seus participantes. Observo que, com o passar do tempo, o interesse
e a motivação interacional das pessoas vão se extinguindo pelo rareamento de
novidades. Essas relações só se perduram por mais algum tempo quando
estimuladas por interesses comuns, quase sempre origem externa, tais como os
corporativos, os familiares, religiosos, profissionais e tantos outros.
Agora, quando porém esses relacionamentos são proporcionados
pela troca de ideias criativas como, por exemplo, as filósoficas, as artísticas
ou políticas com ‘P’ maiúsculo, estes tendem a permanecer vivos enquanto o
fluxo de criatividade persistir.
José Augusto Silveira - 24/setembro/12
segunda-feira, 26 de março de 2012
Respeito à Diversidade: Questão de Princípio para o Partido Verde
Verdes se mobilizam contra aprovação de projeto de lei que incentiva a homofobia na educação carioca
O Partido Verde, coerente com sua história, sempre na vanguarda em defesa de seus ideais por uma sociedade livre de qualquer preconceito e intolerância, tomará um conjunto de ações para impedir o êxito do PL1082/2011 – proíbe a distribuição de material didático sobre diversidade, sexualidade e respeito às diferenças nas escolas do município do Rio.
Os verdes são radicalmente contrários à aprovação de qualquer conteúdo que verse contra o combate à intolerância, ou seja, que estimule o preconceito; sendo assim se posicionará judicialmente, nas redes sociais e imprensa desta forma. O PV também fará parte da mobilização, engrossando as fileiras dos movimentos sociais libertários contra qualquer tipo de preconceito na luta contra a aprovação do Projeto de Lei.
A bancada de vereadores do partido na Câmara Municipal promoverá em plenário a apresentação de emendas que retirem o projeto de pauta, buscando impedir sua aprovação, haja vista a maioria de votos favoráveis da última sessão, em 1ª discussão, em 22/03. Se não for possível derrubar o projeto no voto, o Partido Verde estará pronto para usar mecanismos regimentais para tirá-lo de pauta indefinidamente, impedindo que seja aprovado.
O projeto de lei voltará a ser debatido amanhã, 27/03, para ser votado em definitivo em 2ª discussão. O PVRJ convida todos os “verdes” para se mobilizarem contra esse PL homofóbico, amanhã, 27/03, 14h, no plenário da CMRJ vestindo a camisa: “Eu respeito à diversidade”.
www.pvrj.org.br
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Mesa Redonda: Cenários para a oposição política nas eleições de 2012
Texto do pronunciamento de:
José Augusto Silveira / Pres. do PV da Cidade do Rio de Janeiro
Teatro João Theotônio / RJ
08-fev-2012
Gostaria de iniciar a minha fala fazendo a constatação de que para o cenário das eleições deste ano, os partidos políticos que se situam no campo da oposição em nossa cidade têm posições bastante heterogêneas nas suas visões políticas, encontrando portanto dificuldades na formulação de estratégias eleitorais que sejam comuns a todos para podermos disputar com eficiência a Prefeitura de nossa cidade.
Por outro lado, também acredito que esta constatação pode ser utilizada de modo positivo, pois agora estamos conscientes das nossas diferenças e devemos nos esforçar ao máximo para encontramos juntos pontos em comum e, assim, marcharmos unidos nesse processo eleitoral.
Para melhor estruturar o tema, vamos aqui conceituar o campo da oposição, constituindo-se de quatro principais grupos políticos: o primeiro deles, predominantemente ideológico; o segundo, baseado em experiências passadas no poder e em estilo já experimentado de gestão. O terceiro, de viés fortemente religioso. E o quarto, fundamentado principalmente no conceito de sustentabilidade ampla em todos os campos da atividade humana.
O primeiro grupo se caracteriza como o setor de oposição mais tradicional e é constituído primordialmente por razões puramente ideológicas. É a velha questão da direita versus esquerda, conceito bastante discutível já faz algum tempo. Este grupo faz parte de um espectro ideológico que varia em seus níveis de radicalidade, muitas vezes chegando, em casos extremos, a serem totalmente avessos ao sistema e tendo assim como objetivo a substituição do mesmo até pela via revolucionária. Como exemplo, poderia citar os Partidos situados mais radicalmente à esquerda ou à direita no cenário ideológico.
Essa posição ideológica mais extrema é bastante perigosa, pois não podemos esquecer que no século passado ela foi um fator importante na deflagração de guerras de amplitude mundial, e de totalitarismos como o nazismo, o fascismo e o comunismo, e mesmo em algumas democracias, as quais poderiam ser denominadas como democracias autoritárias.
Dentro desse primeiro grupo ideológico, encontramos um segmento com postura menos radical, fazendo no entanto críticas ainda contundentes – mas normalmente justas em relação ao sistema – e abertos à alguma possibilidade de negociação em pontos específicos da gestão pública.
Outro grupo, esse já menos ideológico e mais orientado pelos conceitos modernos de gestão, defende o retorno de esquemas políticos que já exerceram o poder anteriormente por acreditarem que esses obtiveram maior eficiência na condução da administração pública. Talvez poderíamos aqui citar o DEM no plano Municipal e o PSDB no plano Federal.
Na verdade, seria unânime para todos nós, a constatação da pouca eficiência do atual governo em relação à saúde no caso do mau atendimento nos hospitais municipais, bem como do aumento dos casos de dengue noticiado hoje mesmo no jornal “O Globo”.
Ainda, um terceiro grupo situado no campo da oposição é aquele que baseia sua estratégia e ação políticas, inclusive eleitoral, em aspectos fundamentalistas das crenças religiosas. Esse grupo, muitas vezes, tem dificuldades em assumir posturas políticas mais libertárias. Além disso, a escolha eleitoral (que deve ser baseada em princípios racionais) é substituída por uma decisão de voto baseada na orientação religiosa. Essa postura pode deslocar a responsabilidade da formulação das leis pelos representantes democraticamente eleitos (representando, portanto, a soberania popular) para leis demandadas por um poder religioso superior.
Muito preocupante, embora espere ser uma minoria (e até mesmo não citado entre os quatro principais por não pertencer ao processo político legítimo e sim o que consideramos como politicagem), temos um grupo que vou descrever apenas de passagem. Esse grupo não vê a conquista do governo a não ser para aproveitamento pessoal ou de segmentos que o apóia. Ele representa o fim da política como meio para alcançar o bem comum público e significa a vitória do hiper-individualismo e o fracasso da ética (e que estão infelizmente já difundidos em quase todas as atividades da sociedade).
Antes de passarmos para o último grupo político situado no campo da oposição, gostaria de comentar brevemente alguns fatos ocorridos recentemente.
O primeiro diz respeito ao desabamento de três edifícios no centro da cidade acontecido há poucos dias atrás causando uma sensação de pânico e impotência entre todos nós. Evidencia-se nesse episódio a negligência do poder público no não cumprimento de sua responsabilidade de fiscalização das obras nas edificações privadas e, talvez, até mesmo das públicas de nossa cidade. Outro aspecto curioso é a priorização da rápida higienização do local, agilmente removendo os entulhos para lixões – ainda contendo até mesmo corpos ou seus fragmentos – sem o empenho maior de removê-los ainda no local, desrespeitando a dor das famílias envolvidas na catástrofe. Ao passar por esse local poucas horas depois, já o encontramos fora de vista dos transeuntes, isolado por um tapume bastante estético e de cor branca, dando a impressão não mais de tragédia, mas de uma nova área da cidade a ser reconstruída ou revitalizada. O esquecimento do triste episódio é ainda favorecido pelo movimento dos blocos carnavalescos do final de semana que praticamente enterraram os mortos não encontrados no local.
Outro episódio bastante representativo do uso e do abuso da privatização do público ou de como o setor público se relaciona com o privado foi a tragédia ocorrida, há poucos meses atrás, na queda de um helicóptero de uma empresa privada que transportaria um político carioca, em que eram evidentes as relações de comprometimento empresarial entre o Governo e os proprietários da aeronave. Essa recente situação traduz conduta certamente não ética na relação entre gestor público e a participação de empresas do setor privado.
Ao terceiro episódio, vamos chamar de “o caso dos helicópteros”. Os moradores das regiões da faixa situada entre as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor (bairros de Humaitá, Jardim Botânico e Lagoa) se uniram para protestar contra o uso abusivo de helicópteros utilizados no setor de turismo para visitação do Monumento do Cristo Redentor, que inegavelmente é um cartão postal da cidade, mas produzindo um barulho constante e infernal que alcança mais de 180 decibéis, acima, portanto, dos limites definidos legalmente para ruídos urbanos. Então, os residentes na região reuniram-se em frente ao heliporto para protestar quanto à localização do mesmo, que segundo os envolvidos ocupa irregularmente a área, e pedir uma regulamentação mais justa e que leve em conta não só os interesses empresariais, mas também os dos moradores da área afetada.
Esse fato retrata muito bem que a estratégia de gestão do Governo para a cidade não tem mais como prioridade o bem estar, o conforto e a segurança de seus moradores, e, sim, como um fator de empreendimento que possa gerar grandes lucros para o esse Governo e para um número restrito de grandes empresários. Precisamos urgentemente equilibrar os interesses de moradores da cidade, nos quais me incluo, e as ações do Governo no nosso dia-a-dia. Nossos interesses são apenas lembrados no período eleitoral através das peças publicitárias e do marketing político altamente sofisticados e caros, que na maior parte das vezes servem apenas para escamotear verdades ou prometer coisas que não serão cumpridas ou cumpridas de uma maneira enviesada, sendo muitas vezes mais benéficas para os grupos empresariais – que não raro contribuem para os financiamentos de campanha – do que para a maioria dos cidadãos comuns.
Por fim, encontramos o quarto grupo formado por aqueles (nos quais o PV se encontra) em que se percebe a insatisfação diante dessa realidade, principalmente pela falta da ética na política e da não preocupação por parte do Governo das reais necessidades e interesses dos cidadãos.
Percebemos claramente a existência de um novo momento do mundo da política, momento esse que exige novas posturas para se ter sucesso em nossas ações.
Precisamos de inteligência, criatividade e sensibilidade para que nossas propostas sejam condizentes com a realidade do mundo que se descortina nesse nosso novo século, usando de maneira eficiente as novas tecnologias, mas sem nos esquecermos dos fundamentos do humanismo conquistados duramente ao longo da história de nossa civilização.
Temos, também, de aceitar a realidade expressa na globalização, de uma maneira mais crítica, estimulando os fluxos de comunicação de uma forma ampla, mais transparente, difundindo para o mundo as verdades, não as simplesmente de conveniência de grupos, de regiões ou de países específicos. É importante também termos como base o paradigma da cooperação, muito mais do que o da competição, pois como estamos sentido na carne atualmente, a competição extrema não leva a vencedores a médio e longo prazo, mas sim a uma quantidade expressiva de perdedores. Temos como exemplo o fluxo de capital volátil e improdutivo circulando por todo o mundo, e a questão das mudanças climáticas cada vez mais distante de uma solução adequada , justa e sustentável para o nosso planeta.
E, finalmente, acreditamos no conceito de sustentabilidade. Não uma sustentabilidade restrita, convencional e desgastada pelo seu freqüente mau uso, mas sim por uma sustentabilidade ampla, a mais abrangente possível, mais participativa possível, a mais sincera possível, uma sustentabilidade radical para todos e, principalmente, para os políticos que desejam atuar como vanguarda nesses novos tempos.
É essa radicalidade de uma política sustentável e democrática o que o mundo, as cidades e os eleitores da cidade do Rio de Janeiro necessitam e querem. Cabe a nós, políticos, que escolhemos essa atividade tão importante e digna de representar a sociedade, implementar com a maior rapidez possível essa nova visão de mundo e da política e, como disse um famoso político brasileiro, antes que seja tarde demais.
Termino aqui minha fala, citando um pensamento com certeza já conhecido por todos nós: “A política é a mais nobre das vocações e, pode ser, se não tivermos cuidado e ética, a mais desprezível das profissões”.
Saudações Verdes para um Planeta Verde e uma Cidade do Rio de Janeiro Verde
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