segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Idéias Eco-políticas 13 e 14

Idéia Eco-Política 14: A hora é de oposição

De oposição aos corruptos de todos os setores de nossa cidade.
De oposição ao atual sistema corrupto, ineficiente e, logo, desumano de saúde de nossa cidade.
De oposição aos abusos das empresas de transporte para com a população de nossa cidade.
De oposição ao péssimo sistema de educação pública de nossa cidade.
Enfim, a favor de mudanças radicais para alcançarmos a sustentabilidade socioambiental para nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

José Augusto Silveira – 17/out/11

 
 
Idéia Eco-Política 13: Poética da Corrupção

Nada de verbas secretas.
Nada de votos secretos.
Nada de sessões secretas.
Nada de privilégios ocultos, disfarçados ou, como acontece frequentemente no nosso lugar e nosso tempo, desavergonhada e escancaradamente.
Constituinte já, específica para esse fim, e composta por cidadãos capacitados politicamente, sensíveis socialmente e que se comprometam a não obter mandato político por um longo período de tempo.

José Augusto Silveira – 22/set/11

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ecologia Urbana, o Desafio das Cidades

Eduardo Jorge

Secretário do Meio Ambiente e do Verde na maior cidade brasileira, São Paulo, Eduardo Jorge está à frente dos desafios sustentáveis desde 2005.

Em sua palestra, apresentou o diagnóstico de que sim, é possível tornar uma cidade grande como São Paulo em um lugar melhor para se viver. Ele disponibilizou o diagnóstico que foi traçado e os pilares que precisaram ser desenvolvidos para viabilizar a tese de sustentabilidade.

Em primeiro lugar, estabelecer, na administração pública, diálogo entre secretarias,
programas e projetos é fundamental.

Em relação ao desenvolvimento sustentável de uma cidade como São Paulo, Eduardo Jorge frisa que além de possível, é necessário. Uma vez que “só é possível preservar o pantanal, a floresta, o mangue e o cerrado pela cidade, porque é a cidade que consome a cidade da mesma forma que consome pantanal, mangues, florestas e é a partir das cidades, que se preserva o que se consome”.

A partir deste diagnóstico, Eduardo Jorge levantou que a pauta da agenda pública deve ser o combate ao aquecimento global, já que a questão climática ameaça a vida da espécie humana e tem impacto social, econômico e ambiental, conforme as bases do conceito de desenvolvimento sustentável. Até porque, segundo ele, “quem mora em torno da linha do Equador é que vai pagar mais rápido as imprevidências do capitalismo, do socialismo humano em relação à questão ambiental do desenvolvimento industrial dos séculos 19 e 20”.

Eduardo Jorge defende que a pauta do desenvolvimento urbano é fundamental para dialogar com a pauta-mãe, a do aquecimento global, e a partir disso, reorganizar as políticas públicas dentro dos governos federal, estaduais e municipais. “O Brasil ainda está muito atrasado nisso, enquanto fica dormindo em berço esplêndido, como o de costume. Assim é fundamental arrumar dentro da nossa casa para que haja mais condições de se cobrar do governo federal, dos outros países.

Em oito exemplos concretos, Eduardo Jorge listou as principais ações que a prefeitura de São Paulo, Secretaria do Verde, está implementando, num programa horizontal de diálogo inédito com as demais secretarias.

As duas faces da questão climática: face A é a da mitigação, diminuir a emissão dos gases prejudiciais, colaborando para a eficiência energética.

A face B no Brasil é a que menos se fala. Trata-se da adaptação aos efeitos nocivos do aquecimento global.

FACE A

Dentro da necessidade de mitigação das emissões via eficiência energética, Eduardo Jorge listou quatro exemplos que vem sendo adotados em São Paulo.

1. Captação de gás metano de aterros sanitários Os gases produzidos em aterros sanitários são verdadeiras bombas para atmosfera. Porém, se esse biogás, que polui 22 vezes mais que o gás carbonico, for captado e destinado a produzir energia, há diminuição sistêmica na emissão de gás tão prejudicial como ainda ajuda na produção de energia elétrica.

Em São Paulo, são dois grandes aterros sanitários, bem organizados e controlados, bem licenciados. Por meio de licitação, a empresa ganhadora capta a emissão e produz energia elétrica. De acordo com Eduardo Jorge, as duas usinas de biogás produzem energia suficiente para abastecer 600 mil pessoas.

Ele enfatizou que qualquer cidade, com mais de 500 mil habitantes, pode instalar um aterro decente, via licitação, em que a empresa responsável cuida do aterro, gera energia, e a prefeitura ganha ao emitir certificados de redução, podendo desta forma aplicar os recursos em projetos sociais. Ele citou que, em dois leilões, a cidade de São Paulo arrecadou R$ 70 milhões.

2. Diminuição da dependência do petróleo como fonte combustível Eduardo Jorge sustenta que é possível diminuir a dependência de combustível fóssil das frotas das cidades. A partir de uma lei municipal, aprovada em 2009, a Secretaria de Transportes é obrigada a substituir o diesel por combustíveis de fonte mais limpa de energia. Ele mencionou que a Secretaria de Transportes de São Paulo está com sete experiencias de substituição do diesel:

• Ônibus elétricos: recuperação da frota, com quase 180 ônibus rodando, com a volta da compra de ônibus elétricos.

• Etanol: primeira frota de ônibus rodando com etanol no Brasil. Atualmente, são 60 veículos, com objetivo de chegar a 100.

• Hidrogênio: experiência de utilização deste novo combustível.

• Ônibus híbrido: experiência também que agrega ônibus movidos a biodiesel e elétricos.

• Biodiesel: frota já rodando na cidade de São Paulo.

• Diesel da cana: já têm três ônibus, utilizando o diesel desenvolvido por engenharia genética, que produz o combustível a partir da fonte de energia mais limpa.

3. Inspeção Veicular

A inspeção veicular combate a poluição do ar e também o aquecimento global.

Faz-se necessário inspecionar motos, carros, caminhões e ônibus. Eduardo Jorge afirmou que cada moto polui o correspondente a cinco carros. Os carros consomem muito e poluem muito. As regras, que obrigam o dono do automóvel a inspecionar e regular seu veículo para mantê-lo dentro dos padrões de quando o veículo saiu da fábrica, já existem em outros países há 40 anos.

Segundo ele, esse programa de eficiência energética ataca em duas frentes a poluição:

a) diminuição da emissão de gases poluentes que agridem a atmosfera, além dos pulmões e corações das pessoas que moram nas grandes cidades;

b) gasto menor com o combustível por parte do dono do veículo.

De acordo com Eduardo Jorge, no primeiro balanço da inspeção veicular da cidade de São Paulo, concluiu-se que, ao realizar 3,5 milhões de inspeções veiculares, correspondeu a tirar virtualmente 1,5 milhão de veículos das ruas. Assim, diminui-se a poluição sem realmente tirar estes veículos de circulação.

Em 2009, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) refez as normas e deu dois anos de prazo para que os estados se adequassem a essas normas. Segundo Eduardo Jorge, o prazo das licitações venceu em junho de 2011, e nenhum Estado sequer fez a licitação para começar a inspeção veicular.

4 . Conceito de Cidade-compacta

A tese das cidades compactas é aquela em que há a otimização dos espaços. Atualmente, todos moram longe do trabalho, e a mobilidade urbana acaba por criar mais um nível de segregação social, em que os ricos andam de carro e os pobres, de ônibus. Todos gastando combustível fóssil.

De acordo com Eduardo Jorge, as cidades estão cada dia mais espalhadas, e os centros das cidades vazios, abandonados. No conceito de cidade compacta, os bairros são compartilhados, sem guetos, e o centro é expandido, otimizando a utilização de infraestruturas já instaladas de lazer, cultura, saúde.

“O conceito urbanístico das cidades compactas explora a teoria que as classes sociais devem compartilhar os bairros. Os guetos separados são as chocadeiras da violência, além de que o crescimento das periferias afeta diretamente as mananciais e as áreas de risco e esvazia os centros, numa amostra total de irracionalidade do ponto de vista social, econômico e ambiental”, enfatizou Eduardo Jorge, durante sua exposição de ideias.

FACE B
Ao abordar a fase de adaptação das cidades para os efeitos e as consequências do aquecimento global, Eduardo Jorge listou mais cinco exemplos que estão sendo adotados na cidade de São Paulo. Segundo ele, já que não há mais muito tempo para evitar que os danos ambientais cometidos tirem a vida das pessoas, a solução é adotar medidas que minimizem os efeitos colaterais do homem sobre o meio ambiente. No Brasil, principalmente, as soluções devem ser pautadas pelo elevado número de vítimas, por conta de enchentes e desmoronamentos.

 Arborização: na cidade de São Paulo, 1,5 milhão de árvores já foram plantadas. Como um dos efeitos, está a manutenção da umidade relativa do ar.

 Ampliar as áreas verdes das cidades: com isso, ampliam-se as áreas verdes permeáveis para absorver as águas das chuvas e evitar que haja alagamentos em pontos específicos.

 Criação de parques lineares: consiste em criar parques lineares no entorno dos córregos das cidades , uma vez que é um erro dos arquitetos e políticos construir nas áreas de várzeas. Como as várzeas já foram todas ocupadas, qualquer chuva já é motivo de desespero para o prefeito, dona de casa e comerciante. Há uma necessidade de garimpar as várzeas, recuperar algumas que ainda existem nas cidades, para mantê-las na sua função de escoamento da água das chuvas.

 Mapear as áreas de riscos das cidades: para Eduardo Jorge, este item é o mais importante, quando o assunto é referente ao enfrentamento dos desastres climáticos. São áreas com risco de desmoronamento, escorregamento e enchente. Eduardo Jorge ressalta a necessidade de elaboração de um diagnóstico detalhado de todas as áreas de risco, bem como proporcionar opções habitacionais para as pessoas que residem nestas áreas.

“Eu acho que este é o caso mais urgente. Você não pode deixar pessoas em áreas de enchente nem de escorregamento”, disse.

Ao ressaltar que este seria o “programa mais importante”, Eduado Jorge sugeriu a criação de um indicador: a de quantidade de mortos por 100 mil habitantes por desastres climáticos. “Devia estar escrito na parede das prefeituras e dos governos de estado quantas pessoas morreram (por 100 mil habitantes) nas cidades, nos estados. Devia ser o indicador máximo para avaliar a responsabilidade daquele governante. É responsabilidade dos governantes evitar as mortes de hoje. Não pode haver tolerância de uma morte sequer.

As autoridades precisam ser cobradas”, finalizou.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

III Plenária Municipal PV Carioca

Por Álvaro Nassaralla


III Plenária Municipal PV Carioca

Data: 27/08/2011
Local: Auditório Darcy Ribeiro (Universidade Cândido Mendes)

Mesa
José Augusto Silveira – Presidente / PV Cidade do RJ
Nena Dupret – Secretária da Mulher / PV Cidade do RJ
Flavio Lazaro – Secretário de eventos / PV Cidade do RJ
Dr. Edson da Creatinina – Vereador / PV Cidade do RJ
Eduardo Nascimento – Secretário de comunicação / PV Cidade do RJ

Foi realizada a III Reunião Plenária Municipal do Partido Verde-RJ, no dia 27 de agosto, com o objetivo de reestruturação democrática do Partido através dos Núcleos Interzonais e a organização para as eleições de 2012.

A seguir, relatamos alguns trechos proferidos por José Augusto Silveira em relação ao conceito de Núcleos Interzonais:

• “Quando propomos a construção das Zonais, elas tinham como essência a democratização do partido, aproximando-se da sociedade e sendo uma atividade essencialmente voluntária de seus filiados, com a principal missão de divulgar as idéias e princípios do PV em suas respectivas áreas geográficas.

• A idéia das zonais é a de estruturar o PV de forma a capilarizar as suas atividades para que cheguem o mais próximo do cidadão, através de seus militantes com consciência ambiental plena.  
  • Uma questão importante é a formação de estrutura em rede para que, além de filiados, possam também participar do processo os simpatizantes de nossas causas socioambientais, contribuindo assim com a implementação de nossas propostas para uma política sustentável”.
José Augusto também descreveu o perfil desejado para os que desejam ser representantes do partido nos seus Núcleos Interzonais:

1. O primeiro aspecto é o conhecimento e a crença de nossas idéias e nossos princípios e a capacidade de transmiti-los para nossos filiados e simpatizantes.

2. As zonais, por sua capilaridade, vão estar responsáveis também por estratégias eleitorais. Vão atrair filiados e simpatizantes com potencial para se tornarem futuros candidatos.

3. Para que a estrutura partidária seja eficiente em seu todo é necessária a presença de três fatores: eficiência de gestão administrativa; capacidade de formação política; eficiência eleitoral. Para tanto, é importante que a experiência alcançada no dia-a-dia partidário seja compartilhada com os novos filiados. Também é importante que haja um equilíbrio entre os interesses individuais e os institucionais. Apenas com a harmonização desses dois tipos de interesse é que poderemos alcançar uma estrutura partidária sustentável e condizente com a realidade do século 21.

4. Outra função dos Núcleos Interzonais é de identificar os problemas locais respectivos de suas áreas de atuação e comunicá-los para as instâncias partidárias, bem como para a bancada de seus Vereadores, a fim de que tomem as possíveis providências.

Concluindo, nesses anos de nossa existência como partido, nunca optamos por inchar; optamos, sim, por crescer. E, atualmente, percebemos claramente que essa estratégia está resultando em sucessos político-eleitorais, como a votação expressiva obtida por Gabeira e outros.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O que são as zonais?

'Dando as mãos' - J.A. Silveira / 2011
As zonais são parte da estrutura partidária e têm como objetivo relacionar o partido da forma mais próxima possível com a sociedade, divulgando nossas idéias e princípios estatutários. Têm também como responsabilidade a identificação dos problemas socioambientais das suas respectivas regiões, comunicando esses achados aos nossos vereadores para que os mesmos tomem as providências cabíveis.

Os membros das zonais são filiados ao Partido, residentes nas respectivas áreas, e que têm disponibilidade de tempo para de uma maneira voluntária representar o Partido junto a sua região. 

Essas estruturas funcionam dentro do conceito de rede, sem uma hierarquia rígida, mas com um núcleo de coordenação realizado pela Executiva Municipal, que terá como principal atividade estimular a renovação e crescimento constante dessas estruturas, evitando assim, que as mesmas se transformem em espaços de simples interesse ou de poder pessoal.

José Augusto SilveiraPres. do PV da Cidade do Rio de Janeiro

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

III Plenária Municipal PV Carioca

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Data: 27/08/2011

Horário: 13h00 às 17h00
Local: Auditório Darcy Ribeiro -Instituto de Humanidades – Universidade Cândido Mendes
Endereço: Praça Pio X, 7 / 11 andar - Candelária – Centro - Rio de Janeiro - RJ

Descrição do evento:

Plenária Verde Carioca

Aos filiados e simpatizantes do Partido Verde:

Em atendimento a solicitação do Presidente da Comissão Executiva Municipal do Partido Verde da Cidade do Rio de Janeiro José Augusto Silveira, temos o prazer de convidá-lo(a) para a III Reunião Plenária Municipal do Partido Verde-RJ, com vistas a organização do Partido para as eleições de 2012.

Proposta de pauta:

1. Atualização e informes do projeto de nucleação Interzonal do PV/Rio;

2. Apresentação dos Diagnósticos dos núcleos Interzonais em suas áreas de abrangência;

3. Propostas para redefinições de áreas, em função de agregar novos grupos e pessoas;

4. Estratégias para elaboração do plano de ação nos bairros.

Flávio Lazaro - Sec. Mobilização e Eventos PV/RJ

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A RIO+20 é uma questão global


Ban Ki-moon
Secretário-Geral das Nações Unidas

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, esteve em Brasília nos dias 16 e 17 de Junho último, como parte de uma viagem a quatro países da América do Sul quando também visitou a Colômbia, a Argentina e o Uruguai. No Brasil, o Secretário-Geral esteve pessoalmente, pela primeira vez, com a Presidenta Dilma Rousseff. Ele também teve a oportunidade de se encontrar com o Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, com a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e com a Ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Ban Li-moon se reuniu ainda com lideranças de movimentos sociais e ONGs, num encontro presidido pelo Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, com o Presidente do Senado Federal, José Sarney, e com o Presidente da Câmara Federal dos Deputados, Marco Maia.

Pouco antes de embarcar de volta para Nova York, na sexta-feira, 17 de Junho, o Secretário-Geral da ONU concedeu uma entrevista coletiva para os correspondentes das agências de notícias internacionais.

Qual são suas expectativas em relação à RIO+20?

Um ponto importante de minha agenda foi a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, a RIO+20, já que temos tratado as mudanças climáticas como uma prioridade da comunidade internacional. No passado, crises como a de energia ou a de alimentos eram tratadas de forma separada, mas eu acredito que estas questões estão interconectadas e, portanto, devem ser tratadas sob uma perspectiva mais ampla e de uma maneira abrangente. Isto é o que vamos discutir na RIO+20, no Rio de Janeiro, ano que vem. Tive um ótimo encontro com a Presidenta Dilma Rousseff e com a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e elas estão muito comprometidas com estes assuntos e, por isto, conto com sua liderança. Como Secretário-Geral da ONU tenho um forte compromisso para fazer desta Conferência um sucesso.

Em 1992, há 20 anos, no Rio de Janeiro, líderes mundiais chegaram a um acordo histórico para o desenvolvimento sustentável. Durante os últimos 20 anos, enquanto estiveram implementando estes acordos, os líderes mundiais não prestaram a devida atenção às consequências de diversos atos que estamos vivenciado agora. Eles estiveram focados no crescimento econômico sem considerar suas consequências. Agora, desta vez, depois de 20 anos, temos de ser muito sérios para tentar encontrar uma maneira equilibrada e sustentável de alcançar este crescimento. Este é o principal objetivo desta Conferência de alto nível no Rio de Janeiro.

Como disse, mudanças climáticas e questões como o manejo da água, segurança alimentar, e assuntos ligados à saúde, por exemplo, têm sido tratados de forma específica. Mas todos eles estão interligados, interconectados. Temos que vê-los de uma maneira mais ampla e abrangente, em conjunto. É por isto que nomeei o Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global, que é liderado pelo Presidente Jacob Zuma, da África do Sul, e pela Presidenta Tarja Halonen, da Finlândia, e formado por vários líderes mundiais. Pedi a eles que apresentassem recomendações ambiciosas e corajosas, porém práticas, para que estas recomendações possam ser apropriadamente traduzidas em negociações intergovernamentais. O processo da RIO+20 vai produzir um texto geral em Junho do próximo ano. E até lá as negociações continuarão. Por isso não temos muito tempo. Espero que a RIO+20 seja capaz de chegar a um histórico, corajoso e ambicioso, mas prático de implementação, para que possamos fazer deste mundo um ambiente de hospitalidade, onde cada aspecto de nossa vida possa ser sustentável.

Recentemente alguns países criticaram o método pelo qual são tomadas as decisões em Conferências que lidam com as mudanças climáticas. Eles dizem que devem ser por maioria e não por consenso, que isso está bloqueando as negociações. Qual sua opinião sobre isto?

O processo de tomada de decisão é algo que deve ser determinado pelos Estados-Membros. Há muitos casos em que as decisões são tomadas por maioria, mas questões de desafios globais, como mudanças climáticas, que afetam todas as pessoas em todo o mundo, precisam ser apoiadas por todos os países do mundo para uma implementação suave e equilibrada. Mesmo que possa ser um processo exaustivo e frustrante, é melhor alcançar o consenso entre todos os Estados-Membros. Sei que isto gera algumas frustrações. Como Secretário-Geral também me sinto frustrado, às vezes, mas o processo deve ser decidido pelos Estados-Membros.

O senhor se encontrou com a Ministra do Meio Ambiente e ela deve ter mencionado que o desmatamento da Amazônia aumentou recentemente. Esse aumento no desmatamento preocupa a ONU?

Em 2007, viajei para a Amazônia e foi uma experiência muito importante e útil para mim. Nós estamos muito preocupados com o desmatamento. Globalmente o desmatamento é responsável por cerca de 20% das emissões de gases de Efeito Estufa e temos que acabar com esta tendência. Fizemos um bom acordo em Cancún, em 2010, sobre questões do desmatamento e concordamos em prover os fundos necessários para as pessoas que dependem destas questões. Isto deve ser trabalhado mais detalhadamente em Durban, na COP-17 da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Dezembro deste ano; já falei com o Presidente Zuma, solicitei ao Governo da África do Sul que liderasse este processo. O sucesso da Conferência de Durban será de grande ajuda para contribuir ao sucesso da RIO+20. Sobre medidas domésticas específicas, o Brasil é o maior país florestal do mundo, e o modo como o país lidará com esta questão vai fazer uma grande diferença nos esforços globais. Espero que o Governo brasileiro, o parlamento brasileiro, indústrias agrícolas e outras comunidades discutam esse assunto de forma mais sincera e mais séria e tenham em mente que não é uma questão brasileira, é uma questão global de agir.

Entrevista coletiva do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, durante sua visita ao Brasil em 21 de Junho de 2011

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Obs: Essa matéria faz parte da edição n.176 da Revista Eco21. Veja mais artigos dessa edição em:

RIO+20: Sociedade Civil anuncia Cúpula dos Povos

RIO+20 estimula bancos à sustentabilidade financeira

A perda de confiança na ordem atual

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Nuclear em novo momento

Fernando Gabeira
É escritor, jornalista e membro fundador do Partido Verde. Foi Deputado Federal do Rio de Janeiro por quatro vezes. Nascido em 1941, é mineiro de Juiz de Fora e carioca por opção desde 1963.


O terremoto no Japão estremeceu a indústria de energia nuclear. Ele aconteceu quando a confiança nessa matriz estava em alta. Governos influentes, como o de Barack Obama, anunciaram planos de expansão do nuclear.

O momento era bom no plano das idéias. Autor do Gaia, um famoso livro sobre meio ambiente, James Lovelock defendeu as usinas nucleares, considerando os perigos do aquecimento global e as circunstâncias europeias.

O impacto da posição de Lovelock foi muito grande, entusiasmando políticos e lobistas a iniciarem uma nova ofensiva. Além de todas as suas vantagens, a energia nuclear era considerada uma saída inteligente para atenuar os males do aquecimento. A tendência geral se alterou no momento.

Pesquisas nos EUA revelaram que o apoio ao nuclear caiu de 56 para 47 por cento. E na Alemanha, onde é forte a oposição popular às usinas nucleares, os verdes derrotaram a democracia cristã em Baden Wurttemberg.

A Alemanha é o berço do movimento antinuclear que deu origem ao mais forte partido de ecologistas da Europa. Atenta a essa singularidade, a primeira-ministra Angela Merkel anulou uma decisão anterior que prolongava a vida das usinas existentes.

Todos os desastres em usinas nucleares embaralham um pouco as relações no setor. Fukushima aconteceu num país democrático, obrigado a informar com constância o estado dos reatores, turbinas e piscinas de material usado. Nesse sentido, é um desastre próximo, o primeiro a acontecer num contexto de comunicações mais rápidas.

Ainda assim, 57 por cento dos japoneses condenam a maneira como o governo e a empresa de eletricidade conduziram o processo. Notícias desencontradas assurgiram desde o início e, até recentemente, havia dúvidas sobre o nível de contaminação da água no reator 2. Choque maior para os estudiosos foi constatar que o Japão, um país tecnológico, estava trabalhando com conceitos antigos e não tirou proveito das modernas ciências da sismologia e avaliação de riscos. Até certo ponto, isto era justificável no passado. O engenheiro Tsuneo Futami, que foi diretor da Tóquio Eletricidade e participou da construção de Fukushima, afirma que a palavra tsunami não passava pela cabeça de ninguém.

De fato, apesar de registros de tsunamis em outros séculos no Japão, a palavra só foi incorporada à linguagem cotidiana nos últimos sete anos. A empresa procurou, de certa forma, uma defesa contra tsunamis. E construiu uma barreira de defesa concebida para enfrentar o mais forte terremoto e as mais altas ondas conhecidas. Só que o mais forte estava por vir e as barreiras se mostraram frágeis para conter as águas.

Todos os países, menos o Brasil, decidiram rever suas normas de segurança. O argumento das autoridades era de que as instalações eram seguras e aqui não aconteceria um desastre como o de Fukushima. Nada a revisar, portanto.
Felizmente, esta posição defensiva durou pouco. O próprio Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que o país iria reavaliar as condições de segurança de suas usinas. Ato contínuo, a direção da Eletronuclear afirmou que iria examinar as condições das encostas em Angra e contrataria uma auditoria externa. Em 1985, houve um deslizamento na área da usina, soterrando o laboratório de radioecologia.

O mais interessante viria 24 horas depois do anúncio. A empresa estava planejando a construção de dois píeres para permitir a fuga pelo mar. Mesmo antes de uma auditoria, tanto a Eletronuclear como todos que trabalham com o tema sabem que a rodovia BR 101 é muito frágil para ancorar um plano de fuga. Na verdade, se for submetida a uma análise científica moderna terá de receber um novo traçado.

No dia em que acompanhei a simulação de um plano de fuga, o policial rodoviário que veio nos dar cobertura, morreu no caminho, vítima de um desastre na estrada. E a sirene não funcionava. Parte dos moradores estava preparada para fugir mas não havia trabalho voltado para os turistas: um acidente teria de acontecer no inverno e no meio da semana.

Ao focar a auditoria de segurança nas encostas, a Eletronuclear projeta os problemas para fora da usina, na presunção de que no interior está tudo bem. Os Estados Unidos foram um pouco adiante e se perguntaram qual o nível de segurança dos seus geradores de reserva. Este é o nosso caminho, mesmo sabendo que não haverá terremotos ou tsunamis no Atlântico.

Mas o debate mais amplo é inevitável: devemos ou não construir usinas nucleares? As condições de agora não precisam ser tão emocionais como foram no passado. Uma simples discussão sobre futuras usinas pode subestimar o debate sobre as usinas que existem e precisam de atenção.

Mesmo num país como a Alemanha, onde o tema é mais empolgante, não há razão para grandes dramas. Embora EUA e China já trilhem mais discretamente o caminho, a Alemanha está bem adiantada no desenvolvimento da energia solar.

Há alguns anos, era apenas uma ideia; hoje é uma realidade na forma de dezenas de usinas no mundo, milhares de empregos. A tragédia no Japão nos colheu num momento da história em que é possível exigir das usinas existentes uma ampla revisão de suas normas e, simultaneamente, apontar as energias alternativas, sobretudo a solar e suas variáveis, como a saída para o impasse.

Possivelmente, conviveremos com o nuclear e o solar por muito tempo. A existência de uma nova matriz exigirá que antiga se reformule para melhor até que o curso dos anos e as lutas simbólicas definam se apenas uma delas vai sobreviver.

Lobão e governo brasileiro são ainda refratários ao solar. No entanto, a primeira usina nacional funcionará em breve no Ceará. O desempenho dela e dezenas de outras maiores, espalhadas pelo mundo, vai dar um novo tom à discussão. Saem os slogans, entram os fatos. Fukushima, Hiroshima, na paz e na guerra, alguns desses fatos vieram do Japão.

in: Revista Pensar Verde / Fundação Herbert Daniel - N.1 / Ano 1 / junjul-ago-2011



Wikileaks revela problemas das usinas japonesas